
Natal de 2004: eu, minha prima Silmara, o Júnior, meu pai e meu tio Ciro.
Eu nasci em 1982.
Minha mãe se chama Maria Luiza e escolheu a data – 11/11.
Meu pai se chamava Antonio Claudio e escolheu meu nome – Tatiana.
Meu pai teve dois irmãos – João Ciro e João Bosco. Eles são gêmeos; meu pai era o mais velho.
Tive meu pai ao meu lado até meus 22 anos.
E hoje, com 25 anos, me despeço do meu tio – João Ciro.
Meu pai era físico.
Meu tio; economista.
Os dois sempre estavam juntos; eu e minha prima Silmara sempre estávamos juntas e continuamos.
Meu pai ia diversas tardes na casa do tio pra tomar um “capecinho”, como ele dizia.
Quando meu pai partiu, eu e minha prima sabíamos o quanto doía no tio Ciro a ausência do seu irmão – Antonio.
Eu era criança e tive um pai que lia histórias em quadrinhos da Turma da Mônica pra eu dormir e fazia vozes diferentes pros personagens, inclusive fazendo os sotaques e erros de português. Era muito divertido.
Eu era criança e meu pai me levava no Clube Juventus e entrava e saía da piscina comigo de 15 em 15 minutos.
Eu era criança e meu pai entrava na roda gigante em formato de ovo que dava giro de 360º só pra me agradar. E muitas vezes pagou o mico de entrar comigo no elefantinho gira-gira que tinha uma buzininha porque eu queria ir no brinquedo, mas não sozinha; então, lá estava ele se espremendo em seus 1,82m de altura pra caber no elefantinho. Era muito divertido; ele fazia uma cara de vergonha na hora, mas depois que descíamos do brinquedo, era só algodão doce, pipoca, outros brinquedos e jogos de barraca pra ganhar coisinhas. E ele é que jogava pra mim, claro.
Sou uma moça de sorte. Só tive meu pai até os 22 anos, mas foi um grande pai.
Minha prima teve a mesma sorte que eu.
Meu tio Ciro era o máximo.
Viajamos muito pra Ibirá, Guarujá, tomamos muito sorvete e pizza e ele era nosso grande comparsa na adolescência pra entrarmos nas festas. Ele ajudava a “confeccionar” nossos RGs e ia nos buscar madrugadas e sábados adentro e geralmente todos comíamos um baita cachorro-quente na saída da danceteria.
Sempre que me perguntam quem eu sou e o que eu vivi eu falo do meu pai, do meu tio Ciro e da minha prima Silmara. Os dois são os responsáveis pelos nossos lados mimados.
O tio Ciro, depois do meu pai, era o grande referencial de homem na família que fazia parte da minha história e que sempre vi em seu olhar e nas suas atitudes o ser humano generoso que ele era.
Vou estrear uma peça em outubro, um dia depois do que seria o aniversário do meu pai. Essa peça já é dedicada pra eles. Eu não seria quem eu sou se o Antonio Cláudio não tivesse sido meu pai e se o João Ciro não tivesse sido meu tio. Sou feliz por isso.
Espero que eles se encontrem onde quer que estejam como nos tempos do “capecinho” e dos Natais engraçados que passávamos todos juntos.
Eu sigo por aqui; tenho minha mãe que é minha grande parceira e outras pessoas que amo.
Tudo isso só pra dizer o quanto minha saudade é imensa e inesgotável por esses dois. Bons tempos.
Que venham novos bons tempos. E que sempre, de alguma forma, possamos estar juntos.
“Todo meu amor e carinho pra você pai; e pra você tio.
Que vocês estejam em paz.”
Escrito por Tatiana às 02h12
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